21 de ago. de 2008

AUTOBIOGRAFIA PLAGIADA

Para L.



PREFÁCIO

“Se um outro se assemelha a mim, é porque eu sou alguém”

Marcel Proust


Capítulo I

“Se as paixões se excitam no olhar e crescem pelo ato de ver, não sabem como se satisfazer; o ver abre todo o espaço ao desejo, mas ver não basta ao desejo. O espaço visível atesta ao mesmo tempo minha potência de descobrir e minha impotência de realizar. Sabemos o quanto pode ser triste o olhar desejante.”
Jean Starobinski

Capítulo II

“....Eu descartava os dias em que não te vi,
como de um filme a ação que não valeu.
Rodava as horas pra trás,
roubava um pouquinho,
e ajeitava o meu caminho pra encostar no teu....”

Chico Buarque - Valsa Brasileira

Capítulo III

“Encostei-me em ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar quando caí.”

Cecília Meirelles – Epigrama nº8


Capítulo IV

“....... eu, medindo seus sentimentos pelos meus que nunca são mais ativos do que no meio da maior solidão, segui minha fantasia sem perseguir a dele e contente evitei a quem contente fugia de mim.....”

William Shakespeare - Romeu e Julieta

Capítulo V

“...... Tá na hora de acordar, sinhazinha
Que tem muito o que fazer
Tem cabeça pra tratar
Tem que ler Caderno B
Tá na hora de acordar
Tem a vida pra viver
Tem convite pra dançar
Telefone pra você
Namorado pra brigar
Vinho branco pra esquecer.......”

Chico Buarque – Sinhazinha


Epílogo

“..... Eu procuro um amor
Que ainda não encontrei
Diferente de todos que amei.
Nos seus olhos quero descobrir
Uma razão para viver
E as feridas dessa vida
Eu quero esquecer.....
Procuro um amor que seja bom pra mim
Vou procurar eu vou até o fim
E eu vou tratá-lo bem
Pra que ele não tenha medo
Quando começar a conhecer os meus segredos....”

Frejat - Segredos

31 de jul. de 2008

TROMPETE

A rotina é mais ou menos assim:



Alongamento básico, sacode os braços, estala os dedos, faz careta; vira a cabeça em todas as direções, levanta os ombros, e o que todo mundo sabe fazer de básico para alongar o corpo da cintura para cima. Mais caretas.



Inalações profundas. Lentas e silenciosas em 2 tempos: inala, exala, inala, exala.

Encha (sem constragimento, segundo meu teacher) a caixa toráxica, pulmão mesmo, até o ápice. Exale e........ chega de falar de preparação.



Molha os lábios, afila-os e coloca o bocal na posição correta. Assopra pensando em Dó e......... sai Sol e olha que o Sol é mais difícil de tirar que o Dó. Que bosta!

Dava pra ser um instrumento mais fácil?

Não. Não dava.

Metade de BH me ligou: Cassinha, porque trompete??????????????

Olha gente, não sei. Juro que não sei.

Eu queria tocar sanfona, mas em BH só achei um cara muiiito exigente que queria que eu comprasse um acordeon de 80 baixos da marca Scandalli (Italiana) Maestrina. Ah, ah! Zero quilômetro é o preço de um carro pop, e usado dá pra comprar uma moto zero.

- O senhor aceita outra?

- Não. Cuidado com o que comprar, pois é tudo porcaria importada da China, Vietnã, Coréia, etc.

Eu só visualizei as criancinhas chinesas montando as sanfonas e o trabalho escravo nos países orientais. Desisti.



A verdade é que eu não escolhi o instrumento. O instrumento me escolheu. Passeei nas lojas e fiquei apaixonada pelo dito cujo. Completamente caidinha. Seu brilho, sua classe e seus pistons. Três. Só três e estão me fazendo penar.

Escuto minha mãe: - Cassinha, será que vai sair alguma coisa daí minha filha?.........

Grito: - MÃE MADRASTRA! Dá pra dar uma forcinha???!!!!!!

Não dá.

Pago um professor para me ensinar e, mesmo talvez sendo mentira, me incentivar e dizer que vou ser boa.



Para falar a verdade, sem modéstia alguma, esperem: Eu vou ser boa!

Juro!



À propósito, acho que o meu trompete é importado da China. Fazer o quê?
Este texto é para o meu amigo Marcus Urias. Ele sabe por que.

16 de jul. de 2008

A Bolsa Nossa de Cada Dia



Caras Amigas,

Escrevo para as amigas, pois poucos amigos entenderão. Bolsa de mulher é um mistério.
Fui consumista inveterada, então tenho muitas. Pequenas, mochilas, carteiras, habillès, com paetês, com bordados, lisas, com listras, de oncinha, de zebra, de bolinhas e as gigantes, hoje chamadas shopping bags, que apesar de pesarem uma tonelada com certeza são as prediletas.

Hoje, na minha bolsa:

• Óculos de sol com caixa,
• Óculos de grau com caixa,
• Caixa da lente de contato (lente mesmo. Só uso em um olho),
• Absorvente íntimo,
• MP3,
• Bloco de notas,
• Canetas (umas três, pois costumo roubar sem querer aquelas Bic horrorosas e sem a tampa),
• Lápis de olho,
• Rímel,
• Batom,
• Carteira de grana (sem grana),
• Carteira de cartões de crédito (sem crédito),
• Solução de desinfecção multi-propósito para a lente de contato (tá escrito assim),
• Celular,
• Porta-níquel,
• Comprovante de pagamento da mensalidade da Escola de Música (todo amarrotado),
• Elástico para prender cabelo,
• Um clipe,
• Um extrato do caixa rápido da CEF (todo amarrotado também),
• Um cartão comercial da loja Mercado (tudo lá é lindo),
• Um cartão comercial imenso do Brechó Brilhantina,
• Um cartão comercial da doceria Frau Bondan (o melhor pão de mel de BH),
• Um cartão comercial do Muzzi Tatoo Lounge Bar (deve ser do Rogério, irmão do Fred Muzzi),
• Um cartão com dados para emissão de nota fiscal do Sempre Um Papo,
• Um “unhex” (aquele cortador de unhas para homem, só que de tamanho pequeno),
• Um chaveiro velho de couro com toneladas de chaves,
• 2 maços de cigarro,
• 1 isqueiro de plástico (parei de beber, mas não parei de fumar),
• Uma camisinha,
• Uma agendinha de telefone do ano de 199.... Porque virginiana não confia em tecnologia e tem de colocar as coisas no papel. Quem já perdeu celular e não tinha agenda telefônica, sabe o que estou dizendo,
• Escova de dentes,
• Creme dental,
• Fio dental,
e por último, mas não menos importante,
• Um frasco de Rinosoro SIC 3% (sinusite).
Só!

Hoje não carrego nenhuma sacolinha de plástico, mas normalmente, sempre tenho uma, com um livro ou um par de sapatos para conserto, ou sombrinha, ou blusa de frio, ou sei lá mais o quê...

Coisas que nunca carrego:

• Escova de cabelos (tenho-os encaracolados),
• Pente (idem),
• Agenda (detesto). Coloco tudo no celuleca,
• Espelho.

Estão achando muito? Pois a mulher que não tiver em sua bolsa pelo menos 75% do que eu citei, que atire a primeira pedra!

E você? O que tem dentro da sua bolsa?

15 de jul. de 2008

Metáforas.....

Metáforas



Fernando Pessoa atribuiu a frase “Navegar é preciso e viver não é preciso” aos navegadores antigos. Os românticos atribuem a frase a Fernando Pessoa. Lindo de morrer não é?

A frase não é dele nem tem o belíssimo sentido metafórico e interpretações que vi vários internautas darem à mesma. Na verdade a frase é de Pompeu.

É isso mesmo, o General Pompeu na época do triunvirato Pompeu, Crasso e Júlio César. (Navegare necesse; vivere non est necesse). Pois nosso amigo Júlio precisava urgentemente de reforços náuticos para vencer as Gálias (Cisalpina, Narbonense, Trânsalpina e outros vários povos considerados gauleses, mas com nomes inúmeros e inúmeros vilarejos). Sabendo-se disto, dá pra entender que de metáfora a frase não tinha nada. Foi pura, límpida, clara.

Lutaremos até a morte.

Minha “pauta” de hoje com minha terapeuta foi que a gente não vive de metáforas e ela forçosamente me convenceu que no amor, sim.

Será?

Será que precisamos mesmo nos refugiar nas letras para podermos levar uma relação às vias de fato com todos as delícias e dissabores que o amor/desamor nos traz?

Tenho tentado, nos últimos tempos, não ser tão racional, tão linear, mas devo confessar que para mim é difícil.

Não que eu não seja romântica, nem simpática ao amor “cortês”. Gosto de portas de carro sendo abertas para minha entrada, gosto de flores (há séculos não recebo) e jantares à luz de velas. Mas não gosto de advinhações nem meias-palavras. Não gosto de jogos cruéis.

Esse negócio de “um tapinha não dói” é coisa de iletrado ou masoquista. Um tapinha (que pode ser uma palavrinha ou uma metaforazinha) pode doer e até matar um amor.

A metáfora pode ser útil quando estamos cortejando ou seduzindo alguém, mas há quem não entenda a mensagem.

Não pensem que o sujeito seja burro. Às vezes a metáfora não é clara, então sou a favor da transparência. Curta e grossa.

Teamonãoteamo. Tequeronãotequero. Canseidenósdois. Teadorotedetesto. Precisamosmelhorarnossarelação.

Vocês acham cruel?

Eu não. A clareza liberta o outro. Ele sofre? Claro, mas não cultiva ilusões.

Pensem com bastante cuidado.

Eu já pensei.

Prefiro um não direto do que um talvez, um dia, quem sabe......

Beijos esperançosos a todos.

10 de jul. de 2008

Não Vou deixar........

Resolvi que não vou me deixar abater por pouca coisa. Nem por muita.
Como diria Caetano Veloso "....muito é muito pouco....".
O trumpet resolveu fazer às pazes comigo (professor e horário novos) e a música é o que me alimenta.Aliás, no jazz, menos é igual a mais
Meu mp3 está quase explodindo, preciso urgente de uma reciclagem, mas como apagar Fausto Fawcett, Chavela Vargas, Chet Baker, Nina Simone, Gotan Project, Moby...... Zeca Pagodinho, Ella Fitzgerald, Seu Jorge, Jorge Benjor..... e colocar o quê no lugar deles? Parece um samba do afro-brasileiro louco (agora a gente tem de ser politicamente correto. Crioulo, nem pensar!).
Quem quiser me dar umas dicas de música, não recuso.
Com graves excessões de pagodes, sertanejos e axés, fico quase feliz com tudo.
Espero respostas que me ajudem.
Beijos a todos
Cassinha